Metodologia

Um processo de pesquisa, escuta, mobilização comunitária e organização de dados sobre o patrimônio cultural imaterial dos territórios afetados.
A metodologia do IPCI Maceió combinou pesquisa documental, formação de agentes comunitários, entrevistas, registros audiovisuais, cartografia social e sistematização técnica dos dados.
O objetivo foi construir um inventário participativo capaz de registrar referências culturais imateriais sem separar as práticas de seus territórios, memórias, vínculos comunitários e trajetórias de deslocamento.

Abordagem

Pesquisa técnica com escuta comunitária

O IPCI Maceió foi construído a partir de uma abordagem participativa, reunindo procedimentos técnicos de pesquisa e processos de escuta junto a pessoas, grupos e comunidades ligadas aos territórios afetados.

A proposta metodológica não se limitou a levantar informações sobre bens culturais. O inventário buscou compreender como práticas, lugares, saberes, celebrações e formas de expressão se relacionam com a memória dos bairros e com os deslocamentos provocados pelo desastre.
Esse processo permitiu aproximar dados técnicos, narrativas comunitárias, registros audiovisuais e mapeamentos territoriais, compondo uma base de conhecimento mais ampla sobre o patrimônio cultural imaterial dos territórios pesquisados.
A metodologia do IPCI parte da ideia de que o patrimônio cultural imaterial é vivido, transmitido e recriado por pessoas, em relação direta com seus territórios, memórias e redes de convivência.

Etapas

Etapas do trabalho

A pesquisa foi organizada em etapas complementares, articulando levantamento documental, mobilização social, identificação de detentores, entrevistas, cartografia social e sistematização das informações.

1. Levantamento bibliográfico e documental

Pesquisa em fontes históricas, publicações, registros, acervos, estudos, documentos técnicos e bases institucionais sobre os bairros e suas referências culturais;

2. Mapeamento de pessoas, grupos e comunidades culturais

Identificação de fazedores de cultura, mestres, detentores de saberes, grupos, organizações e comunidades vinculadas aos territórios inventariados;

3. Mobilização e articulação comunitária

Contato com moradores, ex-moradores, lideranças, instituições, grupos culturais e agentes locais para ampliar a participação no processo;

4. Formação dos agentes comunitários de pesquisa

Capacitação de agentes para apoiar a identificação, escuta, registro e organização das referências culturais nos territórios pesquisados;

5. Entrevistas e registros audiovisuais

Realização de entrevistas, coleta de relatos, registros fotográficos, vídeos e documentação de práticas, trajetórias, memórias e vínculos culturais;

6. Cartografia social

Mapeamento coletivo de lugares significativos para a memória das comunidades, complementando os dados levantados em questionários e entrevistas;

7. Sistematização dos dados

Organização das informações em cadernos técnicos, relatórios, listas, bases digitais, mapas e cadastros estruturados para o acervo online;

8. Recomendações de salvaguarda

Elaboração de recomendações voltadas à proteção, continuidade e fortalecimento das referências culturais identificadas.

Pesquisa documental

Fontes, acervos e documentos de base

A primeira etapa da pesquisa envolveu o levantamento de informações já existentes sobre os bairros e suas práticas culturais. Foram consideradas fontes históricas, publicações, registros institucionais, estudos anteriores, acervos públicos e privados, documentos técnicos e dados produzidos por instituições relacionadas ao campo da cultura e do patrimônio.
Essa etapa permitiu reunir referências iniciais sobre os territórios, identificar lacunas de informação e orientar as etapas seguintes de campo, escuta e mobilização.

Fontes históricas

Acervos públicos e privados

Documentos técnicos

Publicações e estudos

Bases institucionais

Registros comunitários

Escutar quem faz, vive e guarda a memória

As entrevistas foram uma etapa central do inventário. Por meio delas, foi possível registrar trajetórias de vida, práticas culturais, vínculos com os bairros, memórias de lugares de referência e percepções sobre os impactos do deslocamento.
Os fazedores de cultura, detentores de saberes, mestres, grupos e moradores contribuíram para ampliar a compreensão sobre o patrimônio cultural imaterial, trazendo informações que muitas vezes não aparecem nos registros formais.

A escuta permitiu reconhecer o patrimônio cultural a partir da experiência das pessoas que mantêm, transmitem e reinventam essas práticas.

Cartografia social

Mapear lugares, memórias e vínculos

A cartografia social foi utilizada para localizar e documentar espaços de valor simbólico para a memória coletiva das comunidades.
Essa etapa ajudou a complementar informações sobre os lugares de referência, especialmente quando as entrevistas iniciais registravam práticas e saberes, mas nem sempre identificavam com precisão os espaços significativos para a comunidade.
O diálogo coletivo permitiu aprofundar a dimensão territorial do inventário e construir um mapeamento mais representativo dos vínculos culturais.

Educação patrimonial

Formação de agentes comunitários

A formação dos agentes comunitários de pesquisa foi uma etapa importante do processo de educação patrimonial. Ela contribuiu para alinhar conceitos, métodos e procedimentos de pesquisa, além de fortalecer a participação de pessoas ligadas aos territórios no processo de construção do inventário.
Os agentes atuaram como pontes entre a equipe técnica, os territórios, os detentores de saberes e as comunidades, colaborando com a identificação de referências culturais, mobilização, entrevistas e organização das informações.

Patrimônio cultural imaterial

Inventário participativo

Escuta comunitária

Pesquisa de campo

Registro de informações

Devolutiva e difusão

Dados

Do campo ao acervo digital

As informações coletadas foram organizadas em diferentes bases e documentos, permitindo relacionar territórios, bens culturais, lugares de referência, detentores, organizações e registros audiovisuais.

Essa estrutura relacional é a base do acervo digital do IPCI Maceió. Ela permite que o visitante navegue por diferentes caminhos: a partir de um território, de um lugar, de um bem cultural, de uma pessoa, de uma organização ou de um registro audiovisual.

Exemplo: um detentor pode estar ligado a um bem cultural, a um território de origem, a lugares de referência, a organizações culturais, a entrevistas e a registros audiovisuais.

Resultado

Uma base para memória, consulta e salvaguarda

A metodologia do IPCI Maceió resultou em um conjunto de documentos, dados estruturados, registros audiovisuais, mapas e recomendações que ajudam a compreender a relação entre patrimônio cultural imaterial, território e desastre tecnológico.

Esse material fundamenta a publicação digital e o acervo online, tornando o estudo acessível para moradores, ex-moradores, pesquisadores, estudantes, gestores públicos, fazedores de cultura e demais interessados.

A metodologia também é memória

Cada etapa do IPCI Maceió foi construída para registrar não apenas informações, mas também as relações entre pessoas e lugares, práticas e territórios, memórias e deslocamentos, perdas e continuidades.

Ao tornar público esse processo, o site contribui para que a metodologia do inventário seja compreendida também como parte da memória coletiva dos territórios afetados.

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