Cartografia social
Um processo coletivo de mapeamento dos lugares, memórias e vínculos culturais dos territórios afetados pelo desastre da mineração de sal-gema.
No IPCI Maceió, a cartografia social foi utilizada para localizar e documentar espaços significativos para a memória coletiva das comunidades.
Mais do que marcar pontos em um mapa, essa etapa ajudou a reconhecer relações entre pessoas, práticas culturais, lugares de referência, deslocamentos, afetos e pertencimentos.
Conceito
Mapear com as comunidades
A cartografia social é uma forma de construir mapas a partir da escuta e da participação das pessoas que vivem, viveram ou mantêm vínculos com determinado território.
Diferente de um mapa feito apenas por critérios técnicos, a cartografia social valoriza a memória, a experiência cotidiana, os trajetos, os usos do espaço, os afetos e os sentidos atribuídos pelos próprios sujeitos.
No contexto do IPCI Maceió, essa ferramenta permitiu aproximar a pesquisa dos territórios e compreender como os lugares de referência continuam presentes nas lembranças, nas práticas culturais e nas narrativas das comunidades afetadas.
A cartografia social não registra apenas onde um lugar está. Ela ajuda a compreender por que aquele lugar importa.
Lugares que não aparecem nos mapas comuns
Muitos lugares importantes para a cultura de um bairro não aparecem como patrimônio formal, monumento ou equipamento público. Eles podem ser uma praça, uma rua, uma casa, uma calçada, uma igreja, um terreiro, um campo, uma feira, uma escola, um ponto de encontro ou uma margem de lagoa.
A cartografia social ajudou a identificar esses espaços a partir da memória de moradores, ex-moradores, fazedores de cultura e agentes comunitários.
Ela também complementou informações obtidas nas entrevistas e questionários, especialmente quando as práticas culturais eram lembradas, mas os espaços onde elas aconteciam não estavam claramente registrados.
Mapeamento
Lugares, práticas e vínculos
A cartografia social permitiu reunir informações sobre diferentes tipos de lugares e relações culturais.
Lugares de memória
Espaços associados a lembranças coletivas, histórias de vida, convivência e pertencimento.
Lugares de prática cultural
Pontos onde aconteciam ou ainda acontecem celebrações, encontros, rodas, apresentações, ofícios, cultos e modos de fazer.
Lugares de sociabilidade
Praças, ruas, campos, feiras, escolas, associações, bares, comércios e espaços de encontro da comunidade.
Lugares religiosos e espirituais
Igrejas, terreiros, centros, casas, procissões, festas e espaços de devoção.
Lugares de trabalho e ofício
Espaços ligados à pesca, feiras, gastronomia, artesanato, música, oficinas e modos de fazer.
Lugares afetados ou inacessíveis
Pontos esvaziados, demolidos, interditados ou alterados pelo processo de deslocamento e desocupação.
Processo
Do relato ao mapa
A cartografia social foi construída a partir do diálogo com pessoas ligadas aos territórios pesquisados. As informações coletadas em entrevistas, questionários, oficinas, encontros e conversas foram relacionadas a lugares concretos ou simbólicos.
Esse processo permitiu transformar memórias e referências culturais em dados territoriais, sem reduzir essas memórias a simples coordenadas. Cada ponto no mapa representa uma relação entre território, prática cultural, história de vida e comunidade.
1 - Ouvir as memórias e histórias das pessoas
2 - Identificar os lugares lembrados e mencionados
3 - Entender a importância cultural desses lugares
4 - Localizar e organizar os lugares no mapa
5 - Relacionar os lugares às práticas culturais e às pessoas
6 - Organizar e disponibilizar as informações no acervo digital
Mapear também é registrar ausências
Nos territórios afetados pelo desastre, a cartografia social também registra perdas, rupturas e ausências. Muitos lugares de referência foram desocupados, demolidos, interditados ou deixaram de ser acessíveis às comunidades.
Mesmo quando o espaço físico já não pode ser vivido da mesma forma, ele continua existindo na memória e nos vínculos culturais das pessoas que passaram por ele.
Por isso, o mapa do IPCI Maceió não deve ser lido apenas como uma localização geográfica. Ele também é um registro de deslocamentos, permanências, interrupções e reconstruções.
Cada ponto no mapa pode indicar um lugar, mas também uma história de perda, continuidade, resistência ou reinvenção.
Acervo digital
Um mapa conectado ao acervo
No site do IPCI Maceió, a cartografia social se desdobra em um mapa interativo dos lugares de referência.
Cada ponto pode se relacionar a territórios, bens culturais, detentores, organizações e registros audiovisuais. Assim, o visitante pode navegar pelo acervo a partir do território, do lugar, da prática cultural ou das pessoas envolvidas.
Exemplo de conexão: um lugar de referência pode estar ligado a território, bem cultural, detentor ou fazedor, organização, registro audiovisual, categoria cultural e situação do lugar.
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Navegação
Explore os lugares de referência
O mapa permite visualizar pontos inventariados e filtrar as informações por território, categoria, bem cultural ou tipo de referência. Essa navegação ajuda a perceber a distribuição das referências culturais, os vínculos entre bairros e práticas culturais e os efeitos do deslocamento sobre a memória territorial.